Quero partilhar convosco a “série de eventos desagradáveis” (referência cinematográfica
) que sucederam nas últimas 3 horas antes do limite para a entrega do Projecto. É uma história longa, mas de alto nível de entretenimento e emoção. Pelo menos foi o que nos pareceu ao fim da noite.
Tudo começou, estava eu e o mobes no ISEL a tratar dos últimos detalhes para a entrega, quando demos pela falta do código da aplicação servidor. Como tinha sido eu o último a fazer alterações à mesma, procurei no portátil e na pen USB, os dois únicos sítios onde poderia estar, chegando então à conclusão que estaria, em vez disso, no computador de casa. Ora, eu costumo ter o remote desktop activado, mas naquele dia não tinha por causa de umas alterações na rede caseira, após as quais não reconfigurei o router de modo a permitir o acesso remoto.
Como já estávamos a ficar sem tempo e ainda tínhamos algumas coisas para fazer, decidimos deixar para a hora da impressão final do relatório a ida a minha casa para obter o código, após o que voltaríamos, já com o relatório impresso, e faltaria só tratar das versões electrónicas.
Como nota, aquando da entrega do relatório, é necessário entregar 3 cópias impressas do mesmo, mais 3 discos, contendo a versão electrónica do relatório, e todo o material produzido relevante para o projecto.
Terminámos as preparações por volta das 20h30, tempo mais que suficiente para imprimir o relatório, ir buscar o que faltava, fazer alguns testes e entregar. Ou, pelo menos, foi o que pensámos.
Fomos então à reprografia ver se ainda lá estava alguém, tendo já em mente que já poderiam ter fechado, e capacitados que teríamos que ir ao Vasco da Gama para fazer as impressões. Ideia esparvoada, como se poderá ver à frente.
Chegámos à reprografia da AE do ISEL, e como só fechavam às 21h00, resolvemos fazer lá as impressões. Entretanto, lembrámo-nos que não tínhamos paginado as folhas do relatório, e lá fui eu a correr ao departamento buscar o portátil para fazermos a paginação na reprografia. Terminada a paginação, com as devidas complicações devido aos cabeçalhos/rodapés, às folhas em branco e às páginas de título, as quais já tínhamos mandado imprimir antes, lá mandámos imprimir e encadernar as 3 cópias, e fizemo-nos ao caminho até minha casa. Faltavam então 5 minutos para as 21h.
Chegado a casa, e enquanto procurava pelo projecto no computador, liga-me o mobes, que tinha ficado no carro a olhar para o relatório, e a conversa foi mais ou menos assim:
“Olha…”
“Sim?”
“Temos um problema no relatório…”
“Ah sim? O quê?”
“Estão aqui uns erros no índice. Se calhar não actualizámos depois de fazer as alterações.”
“Ah. Pois não…”
O que aconteceu: durante a edição do relatório, eliminámos alguns capítulos, movemos outros, e não actualizámos o índice, pelo que, na hora da impressão, o Word não sabia o que meter como número de página. Mas isto só apareceu na impressão, abrindo o documento no Word aparecia tudo bem.
Então lá actualizei o índice, e imprimi uma folha com o mesmo, e partimos para uma nova missão: encontrar uma loja, que fizesse encadernações, e que estivesse aberta às 21h30.
Primeira paragem: Centro Comercial da Portela. De Sacavém, entenda-se. Aquele que faz de rotunda-gigantesca-com-estacionamento-à-volta-com-parquímetros-que-irrita-fortemente-o-pessoal-que-lá-quer-ir. Felizmente que àquela hora já não se paga. Ainda mais felizmente porque as lojas de interesse já estavam fechadas.
Próxima paragem: Spacio Shopping, ex-Olivais Shopping. Chegámos lá eram 21h45. fomos à loja de impressões, explicámos o problema, que era substituir uma folha numa encadernação já feita.
“É possível?” – perguntei.
“Sim. Mas com essa encadernação não, que não tenho máquinas com essa medida”
Desespero.
“Onde podem conseguir a esta hora é no Staples, no Office Centre. Eles fecham às 22h30″
Nova esperança. “Obrigado!”
E lá fomos nós dar a volta para irmos ao Staples, que ainda é uma voltinha grande, quando vista a distância a que fica o Staples do Spacio.
Chegámos lá eram 22h10, o que contando com semáforos não foi assim tanto. Chegados ao portão, estavam os seguranças a fechá-lo, pelo que já não conseguimos entrar, e lá fomos novamente dar a volta para voltar ao Staples, desta vez já com o conhecimento de que o parque fechava mais cedo, e com o intuito de deixar o carro no parque do Lidl e ir a pé até ao Staples.
Estacionado o carro, arrancámos então para o Staples, onde chegámos às 22h20, e encontrámos um letreiro a dizer o seguinte (ou algo parecido):
“Horário de funcionamento: __:__ – 22h00″
E o edifício todo fechado e Às escuras. Novo ataque de pânico. Lá fomos a correr de novo para o carro (por esta altura já se notava o peso sobre o ponteiro da gasolina) e fomos ao Vasco da Gama.
Lá, fomos à tabacaria ao pé do continente, onde vimos que não tinham máquinas de encadernação, e de seguida à Papelaria Fernandes, já sem grandes esperanças. Na PF, a menina informou-nos:
“O único sitio aqui onde fazem isso é na gare, no centro de cópias”
O problema era que o Centro de Cópias da Gare já tinha fechado. Foi aí que desistimos e voltámos para o ISEL, para ir falar com o Engenheiro e explicar-lhe a situação.
Após a explicação, fomos informados de que poderíamos entregar a versão em papel na 2ª feira, desde que entregássemos a versão electrónica até à hora limite.
…
2h30 desperdiçadas, entre a busca pelo software que estava na pen, e a busca pela loja de encadernação. E nós com falta de tempo… yay.
Eram 23h00 quando regressámos ao departamento. Acabámos de produzir a versão electrónica, 3 discos gravados, eram 23h27, mais coisa menos coisa. O mobes foi para cima, para ver se o segurança não nos trancava lá dentro (para quem não sabe, o edifício é fechado às 23h30, e só reabre às 00h00, e a partir daí de hora a hora), enquanto eu fiquei a acabar de testar o último disco.
Quando cheguei à entrada do DEETC, estava o segurança a trancar a porta. Por sorte, quando apareci ainda ele tinha a chave na fechadura, e fez o especial favor de não me deixar trancado lá dentro.
Vim depois a saber que o mobes quase andou à porrada com ele porque ele não queria estar à espera mais um minuto (entretanto eram 23h30), porque senão “txinhá ki ficá à isspérá dji todumundu, e nãum sáiá dji lá até àis duáis”. Enfim. Maitê ftw.
Passado isto, (não, ainda não acabou =D ) fomos ter com o Engenheiro para entregar o projecto. No caminho, lembrei-me que não tinha identificado os discos, e que não tínhamos caneta de acetato para o fazer. “Talvez o Eng. tenha…!”
Mas não tinha. Estava uma sala aberta com duas pessoas, as quais também não tinham caneta, e que até iam também precisar.
Então, na sala do fundo, com uma probabilidade daquelas que ronda os infinitésimos, Estavam dois colegas nossos, numa 6ª à noite, após as 23h30, a ter uma discussão de uma cadeira, no preciso dia em que terminava o prazo para a entrega do Projecto. E melhor ainda: um deles TINHA MESMO uma caneta de acetato!
Assim, atribuladamente, finalmente conseguimos entregar o Projecto…
Espero sinceramente que aquele colega tenha tido uma nota brutal na cadeira a que estava a fazer discussão!
E que o segurança tenha sido violado a caminho da paragem. Por homens brutos. Que cheirassem mal. E que ele não gostasse. Mas isso não interessa!
Então? Foi emocionante ou não?